quarta-feira, 7 de novembro de 2007
Como seria de esperar...
... hoje foi mais complicado ficar na "minha escola" como o Samuel já lhe chama. Chorou e chorou e nem com chucha se calava... mas lá ficou e o choro há-de passar.... Afinal aquilo sempre tem coisas giras e um parque enorme com escorregas e casinhas e brinquedos muito fixes!
Parece-me que o Samuel anda com sentimentos mistos, por um lado até gosta da escolinha, todas as novidades giras, até o almoço ontem correu bem: "o que comeste ao almoço?" perguntei-lhe ontem à noite "esparguete, num prato cor-de-laranja, o prato azul é do João"!
Hoje de manhã "quero ir lavar os dentes!" depois na casa de banho, "com a escova do elefante", "mas a escova do elefante não é de cá de casa", respondi-lhe, "não, é da minha escola!" respondeu com convicção!
Por outro lado custa-lhe saber que o pai e a mãe não vão lá estar, nem a irmã, nem a avó a quem está acostumado, mas é como dizem: "quem não sente não é filho de boa gente!" E o Samuel sente, é claro que sente, que algo está a mudar na sua vida. É natural que esteja amedrontado, mas irá ultrapassar esse medo, que afinal todos nós (até mesmo adultos) sentímos quando algo muda na nossa vida, mesmo até sabendo que mudamos para melhor!
E vamos adiante, um dia de cada vez.
Terça-feira, 6 Novembro 2007Blogged with Flock
Update ao primeiro dia na escolinha!
Reunião até às 12h30, saio a correr ainda antes do fim da dita, tiro o carro do parque e percorro os 22 kms até ao infantário a uma média de 160 kms/h.
A meio do caminho ligam-me. Não atendo vou depressa demais para pegar no telemóvel...Acabo de estacionar em frente ao infantário o telemóvel toca novamente, era o Bruno, tinham ligado do infantário... depois do almoço o Samuel adormeceu e estava a fazer a sesta com os outros meninos, se eu não podia passar por volta das três a apanhá-lo para o deixar dormir descansado....
Tarde demais, já lá estava! Voltei para trás, portanto sem Samuel. às 16h00 vão lá buscá-lo a Téta e o Pedro, vamos ver como se porta, e mais importante a ainda como será amanhã?
Segunda-feira, 5 Novembro 2007
A meio do caminho ligam-me. Não atendo vou depressa demais para pegar no telemóvel...Acabo de estacionar em frente ao infantário o telemóvel toca novamente, era o Bruno, tinham ligado do infantário... depois do almoço o Samuel adormeceu e estava a fazer a sesta com os outros meninos, se eu não podia passar por volta das três a apanhá-lo para o deixar dormir descansado....
Tarde demais, já lá estava! Voltei para trás, portanto sem Samuel. às 16h00 vão lá buscá-lo a Téta e o Pedro, vamos ver como se porta, e mais importante a ainda como será amanhã?
Segunda-feira, 5 Novembro 2007
Quero ir pintar
Conhecem aquelas histórias de birras e choros, lágrimas a escorrer por faces pequeninas e grandes, e maquilhagem esborratada e coiso e tal...?
Então ia eu preparada para tudo, para o momento da despedida quando deixaria hoje o Samuel na escolinha... Para tudo... menos para um "Adeus mãe!" deslavado, um bejinho a correr e depois, para a educadora, "Quero ir pintar!" E toca a virar-me costas!
Assim é que eu gosto amor, de te ver empenhado em aproveitar a escolinha ao máximo, logo no primeiro dia!!! "Então afinal aqui não se pinta? Não se brinca? Que treta é esta de estar aqui a olhar para a mãe!"
Hoje à hora do almoço vou lá buscá-lo, não convém deixá-lo logo de rompante o dia todo, e também porque estou em pulgas para saber como ele se portou!
O meu rapazinho grande!
Então ia eu preparada para tudo, para o momento da despedida quando deixaria hoje o Samuel na escolinha... Para tudo... menos para um "Adeus mãe!" deslavado, um bejinho a correr e depois, para a educadora, "Quero ir pintar!" E toca a virar-me costas!
Assim é que eu gosto amor, de te ver empenhado em aproveitar a escolinha ao máximo, logo no primeiro dia!!! "Então afinal aqui não se pinta? Não se brinca? Que treta é esta de estar aqui a olhar para a mãe!"
Hoje à hora do almoço vou lá buscá-lo, não convém deixá-lo logo de rompante o dia todo, e também porque estou em pulgas para saber como ele se portou!
O meu rapazinho grande!

(Segunda-feira, 5 Novembro 2007)
(Segunda-feira, 5 Novembro 2007)
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
A importância de questionar!
"Tende confiança não no mestre, mas no ensinamento.
Tende confiança não no ensinamento, mas no espírito das palavras.
Tende confiança não na teoria, mas na experiência.
Não acrediteis em algo simplesmente porque vós ouvistes.
Não acrediteis nas tradições simplesmente porque elas têm sido mantidas de geração para geração.
Não acrediteis em algo simplesmente porque foi falado e comentado por muitos.
Não acrediteis em algo simplesmente porque está escrito em livros sagrados; não acrediteis no que imaginais, pensando que um Deus vos inspirou.
Não acrediteis em algo meramente baseado na autoridade de seus mestres e anciãos.
Mas após contemplação e reflexão, quando vos aperceberdes que algo é conforme ao que é razoável e leva ao que é bom e benéfico tanto para vós quanto para os outros, então aceitai-o e fazei disto a base de vossa vida."
Gautama Buddha - Kalama Sutra
Este é um dos textos mais impressionantes do Budismo, digo que é impressionante pois não é muito comum que um mestre, profeta ou sábio venha dizer abertamente: "não acreditem nisto simplesmente porque sou eu quem o diz, ou até mesmo porque há muitos que também concordam comigo!"
No fundo o que está por detrás disto é a demanda da verdade. E se a verdade é apenas percepção (a nossa) então faz mais sentido que nos ocupemos a questionarmo-nos sobre o que é a nossa percepção. Para através da reflexão acharmos algo que nos faça sentido interiomente apesar de ser ou não a doutrina de muitos ou de alguns de monta.
Daí que tenham ao longo dos tempos sido tão perniciosos os auto-proclamados arautos da verdade, da religão, da política e da justiça. Que nos indicam algo como sendo intrinsecamente bom sem que nos darem sequer a possibilidade, liberdade e por vezes até o conhecimento necessário para questionarmos os seus postulados. Exemplos disso há muitos, uns mais subtis que outros.
É tão difícil hoje em dia escapar às influências externas, aos pré-conceitos que desde tenra infância nos são incutidos, mas o ser difícil não o torna menos essencial para que consigamos perceber o que realmente importante para nós. Com que objectivo respiramos, caminhamos e trabalhamos neste mundo. E para isso é preciso que percamos toda a bagagem que vimos trazendo atrás deste crianças, e isso é na prática impossível. Assim sendo, não podendo escapar-lhes, o melhor que temos a fazer é questionar incessantemente essas influências, questionar incessantemente os nossos motivos, pois eles são tantas vezes resultantes delas.
"A vida sem reflexão não merece ser vivida." dizia Sócrates, não merece, nem é verdadeiramente vivida, digo eu! Porque afinal se não pensarmos por nós próprios estaremos apenas a viver por procuração, a viver a nossa vida pelas reflexões que outros tiveram, ou afirmaram ter tido por nós.
Por tudo isto adoro insistência com que o meu filho me questiona todas as afirmações e ordens, como todas as crianças em geral o fazem tão bem nesta idade. Tenho sempre a sensação de que está entre o hedonismo e a irreverência e a interiorização daquilo que do que eu lhe digo que lhe interessa verdadeiramente acatar por saber que é bom para ele, por conseguir finalmente fazer algum sentido para ele o que tenho ensinar-lhe.
É complicado, eu sei, gerir toda esta aparente vontade de contrariar tudo e todos, e que são mais as vezes em que ele não encontra o sentido e simplemente toma uma atitude porque lhe apetece, sem pensar nisso. Mas o que eu acho verdadeiramente gratificante são as vezes em que ele o faz por ter chegado a uma conclusão, gratificantes por serem tão raras!
Mas acho que é importante as crianças sentirem que nos podem questionar e contrariar. É agora que começam a afirmar-se como individuos e se lhes negamos todas as oportunidades de o fazer ou se revoltam ou, por medo ou perguiça, aceitam sem questionar tudo o que lhes dizemos. Nenhum destes casos é o ideal.
O que gosto de ver acontecer no meu filho é a sua verdade a vir ao de cima, ainda que por breves momentos. A expressão nos seus olhos quando se apercebe por exemplo que consegue magoar a irmã e chatear-me a mim de uma assentada só, mas chega também à conclusão que faz muito mais sentido não o fazer e volta atrás, mesmo que não peça desculpa. Adoro as poucas vezes que o vejo parar antes de começar a portar-se mal, ou pouco depois de o ter feito. Há tantas perguntas naquela cabecita loura, tantas a que eu não posso sequer responder, porque a resposta tem de vir de lá, o díficil é lembrar-me que para que ele a encontre terá por vezes de fazer algo que não devia e sofrer as consequências que daí vierem.
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
Habemus hominem!
Habemus hominem!
Eu tenho sinceramente de me deixar de postar em latim!Quero no entanto assinalar com a devida pompa e circunstância (daí a escolha do Latim) que lá casa já temos homem! Homem "gande", de cuecas e tudo! Que já vai à rua e ao "páque" sem fralda e sem acidentes!
E, correndo o risco de cair no total pseudo-intelectualóidismo agudo, a frase que me vem agora à cabeça é: omnia vincit amor (tudo vence o amor!) É certo que ainda dei uso à esfregona uma vez no sábado de manhã, mas estes acidentes acontecem, é preciso é não desmoralizar! Mas os progressos são constantes e a segurança do xisbunhirgo cada vez maior. Até já dormiu várias vezes a sesta sem fralda e sem percalços! Mantendo a atitude positiva a vitória já cá canta, agora é só consolidar a matéria!
Xisbunhirgos!
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