segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

A ti! A mim! A nós!!!!

Mais um ano pleno de passos para frente, passos para trás, impasses tristezas e alegrias. Mais um ano em que provámos que sabemos crescer os dois, os quatro agora! Mesmo que nem tudo seja fácil, nem tudo seja bonito e amoroso, sabemos olhar-nos nos olhos e ver para lá dos problemas aquilo que realmente interessa! Sabemos apagar o desespero e transformá-lo em vontade de mudar, em vontade de realizar a nossa felicidade!

Por isso não vou fazer balanços do ano que passou, nem inventários do que foi bom ou mau, tudo isso está escrito na nossa pele, lê-se como braille nas rugas que vão surgindo com a idade e que registam a nossa condição de humanos.

Deixo aqui nas palavras de Joe Dassin, um dos favoritos dos meus pais, um brinde, a ti, a mim, a nós e a todos esses milhares de apaixonados, que são como nós!

A toi! A la façon que tu as d'être belle
A la façon que tu as d'être à moi
A tes mots tendres un peu artificiels
Quelquefois
A toi! A la petite fille que tu étais
A celle que tu es encore souvent
A ton passé, à tes regrets
A tes anciens princes charmants
A la vie, à l'amour
A nos nuits, à nos jours
A l'éternel retour de la chance
A l'enfant qui viendra
Qui nous ressemblera
Qui sera à la fois toi et moi
A moi! A la folie dont tu es la raison
A mes colères sans savoir pourquoi
A mes silences et à mes trahisons
Quelquefois
A moi! Au temps que j'ai passé à te chercher
Aux qualités dont tu te moques bien
Aux défauts que je t'ai caché
A mes idées de baladin [...]
A nous, aux souvenirs que nous allons nous faire
A l'avenir et au present surtout
A la sante de cette vielle terre qui s'en fout
A nous! A nos espoirs et a nos illusions
A notre prochain premier rendez-vous
A la sante de ces milliers d'amoureux
Qui sont comme nous [...]

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

A prenda mais linda!

Foi esta! A que nos deu o Samuel feita na escolinha com a ajuda da educadora e pintada pelo xisbunhirgo!

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Uma história complicada, o rescaldo do Natal

Este foi o ano para o Xisbunhirgo primogénito em que o Natal começou a ganhar algum sentido. Entendeu muito bem que era a festa do bebé que é o Menino Jesus e que a Mamã é a Maria e o papá é o José, e que nasceu ao pé do burrinho e da vaquinha, nas palhinhas. Percebeu o presépio todo. Mas depois veio a história do Pai Natal e essa parte é que começou a baralhar um pedacinho as ideias na sua cabecita loura. Surgiu a primeira dúvida (na sequência de, por alguma razão que desconheço, a minha sogra ter inventado de cantar os parabéns ao Pai Natal) - "Mamã, o Pai Natal faz anos hoje?" "Não, filho quem faz anos é o Menino Jesus, porque nasceu neste dia!" "Ah... pois é...!" disse pouco convencido. "E a árvore de Natal, é do Pai Natal?" "... errr... hum... não filho esta é nossa, mas o Pai Natal lá há-de ter a dele!"

Passados alguns minutos o Samuel sai-se com a proverbial pergunta de um milhão de euros "Ó Mãe, de onde veio o Pai Natal? (depois de ter ouvido uma conversa entre o pai e o tio sobre os anúncios de uma conhecida bebida) Veio da coki-cola?" Risota geral!

Ah filho da mãe do Pai Natal que vieste complicar a história toda! Resultado, não é fácil explicar tradições com pouco sentido ao meu filho, ou têm uma origem bem delineada e firmes bases ou esqueçam! Ao puto cheira-lhe logo a esturro! E as prendas sabe perfeitamente quem lhas dá! Vêm com muito amor e carinho dos pais, dos avós, dos tios, dos amigos e é a esses que agradece com um sorriso nos lábios! Daí que o Pai Natal lhe soe assim um pedacinho estranho, não percebe bem qual é o seu papel nesta história toda!

Definitivamente o senhor barbudo da "coki-cola", suposto dono da nossa árvore de natal, não terá pegado muito lá por casa. Sinceramente até prefiro que assim seja, o Natal é bonito por si só, enquanto a história do nascimento de Cristo! Os re-aproveitamentos de lendas semi-pagãs nórdicas por publicitários do século XX só vêm complicar a coisa!

De resto o Natal foi muito bem passado, nas palavras do pai Buno "ficámos todos a nadar em plástico e papel de embrulho" sendo que o plástico eram os brinquedos da Ju e do Samuel. Começámos a abrir as prendas pouco depois de jantar e era já quase meia-noite quando se acabaram os embrulhos! Foi uma excelente opção não aguardar, caso contrário antes das 3 da matina ninguém se deitava! A Ju adormeceu por volta das 21h30 mas acabou por acordar e ainda brincou com as prendas, que entretanto o irmão já tinha aberto por ela!


Oops é verdade, chegaram finalmente as fotos que o Sam tirou na escolinha! "Ora sai uma foto Sr Fotógrafo! Pode assim com este ar de maroto, pode?"

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Festa de Natal da escolinha do Samuel!

Antes da festa, os fãs aguardavam ansiosamente o ínício do espetáculo!

Durante a festa todas as crianças foram estrelas!!!

Depois da festa, o meu pequeno xilofone!


A Julinha, fã número um do xilofone louro mais lindo do mundo, portou-se como uma anjinha bebé durante todo o espectáculo!


Juro que até uma ligeira lagriminha me escorreu assim pelo canto do globo ocular durante a peça... ai que com a idade estou a ficar lamechas!

Feliz Natal a todos!

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quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Ju, a Esquimó!

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Ainda a compaixão e o tal "segredo" que nunca o foi!

Compaixão é a verdadeira essência de uma vida espiritual e a prática central daqueles que devotaram suas vidas para alcançar a iluminação. É a raiz das Três Jóias Supremas: Buda, Darma e Sanga.
(...)
O que é exatamente compaixão? Compaixão é uma mente que, com a motivação de apreciar todos os seres vivos, deseja libertá-los do seu sofrimento.

Às vezes, desejamos que alguém se livre do sofrimento por razões egoístas; isso é bastante comum nas relações que se fundamentam principalmente no apego. Se nosso amigo estiver doente ou deprimido, poderemos desejar que se recupere depressa para desfrutarmos novamente da sua companhia; mas esse desejo é basicamente autocentrado, não é verdadeira compaixão. A verdadeira compaixão baseia-se, necessariamente, na motivação de apreciar os outros.

Embora já tenhamos algum grau de compaixão, no momento, ela é bastante parcial e limitada. Quando os nossos familiares e amigos estão a sofrer, facilmente sentímos compaixão por eles, mas é bem mais difícil sentirmos solidariedade por estranhos ou por pessoas que achamos desagradáveis.

Além do mais, sentimos compaixão por aqueles que estão a sofrer dor manifesta, mas não por aqueles que desfrutam de boas condições e menos ainda pelos indivíduos que cometem acções nocivas.

Se realmente quisermos realizar nosso potencial e alcaçar a plena iluminação, temos que aumentar o alcance da nossa compaixão até que ela consiga abranger todos os seres vivos sem exceção, como faria uma mãe amorosa que sente compaixão por todos os seus filhos, independente de estarem a agir bem ou mal.
(...)


in "Transforme a sua vida" por Venerável Geshe Kelsang Gyatso.


O que sai fora da norma aqui é a afirmação que devemos sentir compaixão não apenas por quem está a sofrer, mas mesmo por quem não sofre e tem uma vida boa, ou até mesmo por quem é mau ou pratica más acções. Este sentimento não é um dado adquirido, é um processo. Um processo de aproximação aos outros, não apenas a alguns a mas a todos os outros, o texto faz uma analogia interessante com a maternidade e a nossa capacidade enquanto mães de perdoar e nos compadecermos dos nossos filhos mesmo que eles se portem mal. O acto da compaixão não é apenas benéfico para o receptor da mesma mas é, acima de tudo, vantajoso para o autor.

É através da compaixão que realizamos a nossa felicidade, a nossa paz interior - isto não é segredo para ninguém, quando resolvemos um conflito ou saímos da nossa rotina para ajudar alguém ainda que simplesmente através de um sorriso, experimentamos uma sensação agradável.

Ontem numa conhecida livraria vi passar por mim alguém que levava consigo não um exemplar mas três de um livro muito em voga no momento: "O Segredo" devo confessar que depois de um folhear relativamente pouco atento do livro em questão fiquei com a sensação que aquilo se foca muito na realização material como meio para obtenção de felicidade, e que parte de uma premissa errónea de que as pessoas felizes e realizadas são todas capazes de enriquecer facilmente, ou que a riqueza material seja um objectivo de quem é verdadeiramente feliz. O que é, no mínimo discutível.

A base da tal "lei da atração" e do dito livro - e de uma colectânea (eu contei 4) de livros sobre o livro - é um reaproveitamento de algo comum à maior parte das religiões, um princípio que dita que a quem faz o bem e é bem intecionado, no fundo quem pense coisas positivas e actue segundo esse optimismo mais cedo ou mais tarde acontecem coisas boas (para Judeus, Cristãos e Muçulmanos as coisas boas serão ir para o céu, ou merecer a protecção e ajuda divina; para Budistas será o "karma").

Ora que treta! Afinal o tal segredo nada mais é do que uma doutrina de re-pescagem de algo que a humanidade sabe há milénios, tudo coisas que ao invés de serem segredos foram bradadas aos céus por inúmeros profetas, sábios e filósofos durante todo este tempo! Mas pronto, chamar-lhes "segredo" sempre valeu aos autores da dita re-pescagem uns trocos adicionais.

Mas é exactamente nisto dos trocos que me parece estar a principal falácia do tal "segredo". No fundo o livro pega nos sentimentos hedonistas de satisfação pessoal que são comuns a todo o ser humano e no conceito do "poder da mente e do pensamento positivo" e leva-nos a "dar uma volta". E esta "volta" afasta-nos daquele princípio universal comum também à maior parte das religiões e filosofias antigas que é o da riqueza interior ser muito mais válida e conducente à felidade do que a riqueza material.

O grande senão de livros como o tal "Segredo" é colocar o enfoque na obtenção de riqueza exterior. Quando seria muito melhor que procurássemos a riqueza interior, porque, ao contrário da outra, ela nunca nos decepciona. E é esta, a interior, a única riqueza capaz de nos trazer a paz e a felicidade que almejamos. A riqueza material é, mais vezes do que o que parece, até mesmo um obstáculo ao nosso progresso interior do que um coadjuvante da nossa felicidade.

Eu sei, isto anda muito metafísico por estes lados, perdoem-me.

Quantos aos Xisbitos eles vão lindamente, o Samuel recomeçou a escolinha após o interregno da semana passada em casa da avó. A Jú está a passar uns dias com a madrinha onde pode brincar com a Nina, uma cadelinha "a pilhas" que só quer brincadeira, e receber todos os mimos da madrinha!

E quanto ao tal livro não se ofenda com o que eu disse quem o comprou ou pensa comprar, é apenas a minha humilde opinião e reconhecidamente formada sem sequer ter lido devidamente o objecto da minha crítica. Perdoem-me novamente!

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segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Covardia, Crueldade, Prudência e Compaixão!

in Público.pt

Tribunal da Relação deu razão a despedimento de cozinheiro com HIV



O Tribunal da Relação de Lisboa considerou justificado e legítimo o despedimento de um cozinheiro infectado com HIV que trabalhava na cozinha de um hotel, confirmando decisão semelhante já tomada pelo Tribunal de Trabalho de Lisboa.




Por causa desta notícia pus-me hoje a pensar um pouco nesta questão. Não me tenho por grade entendedora na matéria e a minha experiência pessoal deste género de situações ainda que existente é consideravelmente limitada, no entanto tenho dificuldade em não me pronunciar sobre este assunto.

Hoje em dia a linha entre o que pode ser considerado medo irracional, covardia geral e massificada ou um acto ou acções prudentes e preservantes do bem estar geral é extremamente ténue, e na minha humilde opinião, é espezinhada constantemente.

Num mundo cheio de fantasmas horrendos como o terrorismo, o ódio racial e religioso, o HIV-SIDA, as armas nucleares e químicas, o aquecimento global e as impendentes catástrofes naturais... e tantas outras coisas! Neste mundo assim cravejado de medos somos tantas vezes levados a cometer injustiças e aberrações que têm por exclusiva base o medo irracional que sentimos ao sermos confrontados com estas tristes probabilidades da existência terrena!

Não posso deixar de sentir-me um pouco como alguns dos comentadores da notícia que afirmavam: ainda que ínfima a probabilidade de infecção não sujeitariam a ela os seus filhos.

Mas posso dizer que sei o quão irracional este medo é. Essa probabilidade existe sem dúvida, mas é infinitamente menor do que ser-se atropelado numa passadeira, e não vou impedir os meus filhos de atravessarem a rua numa passadeira, desde que tenham verificado no melhor das suas possibilidades que não há risco previsível em fazê-lo. Mas não haver risco previsível, não significa é claro que ele não exista.

Contudo, no lado oposto a todos estes medos está um valor que espero vir a conseguir incutir nos meus fihos, um valor que deve imperar sobre a natural covardia do ser humano - a COMPAIXÃO!

E o que senti ao ler a notícia deste senhor que perdeu o emprego foi que infelizmente ele perdeu muito mais do que uma profissão ou um ordenado. Ele perdeu a sua humanidade com esta decisão. E, embutidos deste medo irracional, nós - a sociedade - perdemos a capacidade de nos compadecermos dele na sua condição de ser humano e de o respeitar enquanto tal.

Perdeu este senhor o direito à nossa compaixão, que deveria sobrepor-se ao medo irracional de sofrer o mesmo que infelizmente ele sofre, que nos faz tomar uma probabilidade infíma como um risco previsível!

Recordo-me que quando a Ju nasceu havia, horas antes, na mesma sala sido feita uma cesariana a uma mulher portadora de HIV. Que eu tenha sabido disso já foi uma violação da sua privacidade (desnecessária, totalmente desnecessária).

Mas depois, para cúmulo, pude também observar como a pobre mulher (por sinal também de etnia africana) era tratada! Cortava-me por dentro! Fui "informada" pelas auxiliares para ter cuidado no contacto com a referida senhora dado ser a mesma uma "infectada", caridosas almas que me alertaram para esperar pelo próximo elevador para não ficar tão perto dela!

Partíamos ambas numa romaria diária para a sala de neonatologia onde estavam os nossos bebés. Tomei sempre o mesmo elevador e, apesar das advertências, chorei com ela, abracei-a, abrançando de seguida a minha filha. E porque corri eu este risco? Porque naqueles dias para mim ela era apenas uma mãe, cujo filho se encontrava, como a minha, numa incubadora. Ela vivia a incerteza de ter ou não contagiado o bebé, eu vivia a incerteza de saber se poderiam haver sequelas do incidente com o liquido nos pulmões da Ju. Eramos ambas mães, a sua dor era infinitamente superior à minha, mas eu senti-a.

Sentia-a de cada vez que alguém se afastava dela ou do seu bebé, por receio, por covardia, irracional e cruelmente. Voltaria a abraçá-la a enxugar as suas lagrimas e a beijar o seu bebé? Claro que sim! Mesmo que isso significasse um risco para mim e para a minha filha? Claro que sim, sem pestanejar!

Por isso espero que, em face de tudo o que de mau há no mundo, saiba a Humanidade manter sempre acima de todos os receios, tanto os mais infundados como até os menos, as virtudes da compaixão e do amor, que nos deverão tornar corajosos para enfrentar os perigos que nos rodeiam.

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