quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Sair ou entrar... instrospecções de quarta-feira de manhã

"Certa ocasião, Aryadeva e Ashvaghosa estavam prestes a iniciar um debate. Ashvaghosa estava em pé na soleira da porta, com um pé dentro e outro fora. Para testar a sabedoria de Aryadeva, indagou: "Estou a sair ou a entrar?" Aryadeva disse: 񗝌"Depende de tua intenção. Se quiseres sair sairás. Se quiseres entrar, entrarás." Ashvaghosa nada pôde replicar, pois o que dissera Aryadeva estava perfeitamente correcto."

parábola budista in Caminho alegre da boa fortuna por Geshe Kelsang Gyatso


Acho que me falta fundear melhor dentro de mim a realização de que para agir tenho de encontrar em mim a força, a vontade, a intenção. De nada vale entrar em ciclos viciosos de viver o dia a dia sem pensar, agindo sem intenção de agir, sem saber bem de onde venho ou para onde vou, se estou a entrar ou a sair. De que é inútil a vontade de obter resultados sem que para tal tenhamos iniciado as acções necessárias a obtê-los, de que a mudança tem de vir de dentro e não dos outros. A mudança que vem dos outros é reactiva não vem da verdadeira vontade de mudar mas sim de uma reacção necessária a algo exterior a nós.

Hoje no carro de manhã instiguei o meu marido a incentivar-me; porque eu acabo sempre por iniciar as grandes resoluções mas perco rapidamente impulso. Acusei-o de nunca me relembrar do que me esqueço. É claro que isso é injusto pois se é verdade que devo poder contar com o apoio de quem me ama tenho também de manter viva em mim a vontade de evoluir para melhorar a minha vida e a da minha família.

Mais do que traçar uma meta, de começar uma maratona iniciando um sprint de 100 metros e esperar que alguém me empurre o resto do caminho, tenho de manter uma passada segura e constante e será essa passada que me trará o ímpeto para contiuar. Agindo com intenção e não reagindo a eventuais pressões de outros para que continue a caminhar em direcção aos meus objectivos.

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12 palavras!

O desafio (já não era sem tempo) das soberanas majestades do reino PáginasDaNossaVida

Aqui ficam então 12 palavras que me escrevem, mais do que eu as escrevo a elas.

amor - é o esquecer-me do "mim" e lembrar-me do "nós"

coragem - um substantivo feminino, e não apenas na gramática; a coragem não é a ausência de medo mas a prensença e manutenção da esperança.

caminho - é o que nos leva onde queremos ir, mais importante do que terminá-lo é percorrê-lo aproveitando tudo o que ele tem para nos oferecer; mais importante do que atingir um objectivo é tudo aquilo que conseguimos aprender no processo de o atingir.

compaixão - sem ela não podemos amar, não conseguirmos sair de nós próprios ou ver para além do nosso umbigo.

confiança - algo que se conquista com a compaixão, o amor e a coragem

razão - o que nos permite conhecer o mundo em nós e sair de nós para conhecer o mundo

esperança - a mãe da coragem

vontade - de mãos dadas com a razão permite-nos escolher e agir em vez de aguardar e nos conformar-mos

infinito - é o que vemos nos olhos de quem amamos, é o universo ali mesmo à nossa frente

vida - é uma estrada que percorremos, que começa e acaba no infinito

vitória - é o ganhar o universo inteiro ao perdermo-nos a nós próprios.

verdade - é a percepção racional que temos do mundo, mas é subjectiva, apenas podemos conhecer a nossa "verdade".

Desafio quem o quiser fazer, é um exercício interessante!

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Parabéns Maridão!

Quando olho para os nossos quase 10 anos de convivência, 7 de namoro (completos no próximo Domingo) e quase 6 de casados, para além da meia síncope cardíaca precipitada pela noção de quanto tempo já passou, o que não consigo deixar de sentir é um imenso, um enorme, orgulho ao ver como os anos de partilha que já vivemos te ajudaram a crescer, nos ajudaram a crescer! Da diferença que faz cada minuto que envelhecemos juntos, de cada dia que vemos os nossos filhos crescer e superar todas as nossas expectativas!
O projecto inicial talvez fosse diferente, sim era mais ambicioso talvez... Alguns dos objectivos ainda estão por atingir, é verdade. Talvez até por vezes tenham havido retrocessos, novos desafios para resolver cuja resposta ainda nos ilude... mas ainda assim e como dizia a Joan Baez não tenho a menor dúvida que iremos vencê-los. "We shall overcome... some day" mas que até lá são as nossa pequenas batalhas que nos ajudam a chegar onde queremos, e ambos sabemos que mais do que vencê-las o que importa é continuar a lutar, porque "o importante é o caminho" e não o destino!






Parabéns amor pelos teus 31 aninhos... ok, ok eu não digo a niguém que já passaste dos 30... ooops!

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sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

A sopa e uma galheta!

Após quinze ou mais minutos de gentil diplomacia e calma insistência para que o Samuel comesse a sopa devo confessar que os meus recursos no que respeita a paciência eram já muito parcos. Quando o endiabrado, com um esbracejar demoníaco, envia a colher cheia de sopa para o espaço a fúria tomou conta da minha mão e choveu uma bofetada na bochecha do maroto. Foi a primeira, teve impacto. Durante poucos segundos antes de começar a chorar olhava para mim incrédulo... ah pois a mãe zangou-se!

Não acho que sirva de muito educar à chapada, mais vezes do que não é até bastante contraproducente. Provoca apenas a revolta e o que ensina é que a vontade do mais forte prevalece e que quando estamos furiosos é perfeitamente normal desatar à pancada. Não é isto que pretendo ensinar aos meus filhos... mas dito isto há também que afirmar que os pais são seres humanos que também se deixam levar pelas emoções. Não é possível ser-se mãe penso eu sem ter alguma vez pregado umas galhetas quentinhas na prole, e se não considero que essa deva ser a norma também acho que não há que fazer nenhum drama por isso ter acontecido.

Depois do choque inicial e do choro (por sinal quando percebe que foi sua a culpa por se ter portado mal o Samuel chora durante menos tempo que o usual nas suas birras de ruindade) acalmamo-nos os dois. Eu pedi-lhe desculpa e expliquei que lhe tinha batido por ter ficado muito arreliada com ele mas que não o devia ter feito, ele pediu-me desculpa também... mas comer a sopa, não foi dessa ainda!

Veio o pai, tentou aproximar a colher mas nada feito, a sopa só a comeu quando a vizinha apareceu e lha deu, comeu-a toda!

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segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Mano a mano!


Desde que soubemos que estava grávida da Ju e desde que ela entrou na nossa vida que fazemos, eu e o pai, um esforço contínuo para que a adaptação do Samuel à irmã seja a melhor possível.

Sinto que são muito raras as vezes em que o Samuel se sente preterido em relação à irmã. Acho que conseguimos que interiorizasse bem que ele e a irmã são iguais e têm direitos iguais aos nossos olhos. Foi bem demais se calhar... Digo isto porque o Sam trata sempre a Ju de igual para igual... mas ela é mais pequenina, mais frágil e com necessidades distintas das dele. E isto é o mais complicado de fazer entender a um recém ex-bebé de quase 3 anos, que se pode ser igual, mesmo sendo diferente e que essas diferenças merecem tratamento distinto.

Ontem em casa dos meus pais o Samuel e avó fizeram um puzzle gigante que a Júlia adorou... destruir! O Samuel tentando salvar o puzzle empurra-a e ela vai bater com a cara na perna de uma cadeira de madeira. Foi choradeira de meia-hora, tive de pôr umas ervilhas congeladas na carinha da Ju para não inchar muito mas acabou por ficar com o olho um pedacinho negro. Parecia-se ligeiramente com o DeNiro no "Raging Bull" pobrezinha, mas passados uns minutinhos já andava toda pimpona como se nada tivesse sido. O Samuel achou-se justificado na defesa do seu puzzle, não tinha intenção de magoar a irmã, apenas de a afastar, afinal que culpa tem ele que ela não se consiga equilibrar bem ainda! No final pediu desculpa e ficou preocupado com doi-doi da mana, não gostou de ouvi-la chorar e chorou também.

Agora começa a
batalha de fazer o Samuel entender que não pode tratar a irmã como trataria outra menina da idade dele. Que tem de ter algum cuidado ao brincar com ela. Fazê-lo entender isso sem perder a noção que nem ele nem ela têm tratamento diferente da nossa parte e que continuam a ser iguais, com direitos iguais

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